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Buscando interface entre ciências socias e as artes

“Os Muros estão mudos?” foi o tema do seminário realizado pela Bloco 4 Foundation no Campus da Universidade Eduardo Mondlane em parceria com esta instituição e que serviu de mote para um objectivo mais ambicioso que é criar uma plataforma de diálogo entre as artes e as ciências sociais.

O evento visava reflectir sobre o aproveitamento dos murais em espaços públicos na capital moçambicana, Maputo. Shot-B, um reconhecido artista plástico e orador nesse seminário, sustenta que a grafite, sendo arte executado em espaço público, é um veículo que transporta saberes que doutra forma poderiam não chegar ao destinatário.

“Privilegio espaços públicos para que seja [a grafite] acessível a todos,” disse o artista, em alusão ao que chamou de “benefício social” da sua arte.

Aliás, aquela posição é também sustentada nas reflexões de Tirso Sitoe, quando refere que “os espaços privados, como exemplo as mediatecas, em que são expostos determinados trabalhos artísticos, promovem uma elitização da arte.”

No entanto, responder ao tema-questão do seminário “os muros estão mudos?” exige, segundo Tirso Sitoe, uma reflexão conjunta que passa necessariamente por se considerar, por um lado, os modelos de “artivação” de espaços públicos urbanos através da criação artística e, por outro, pensar sobre o modo como as pessoas e as instituições apropriam-se da cidade no sentido de promover a democracia cultural urbana.

Ora, para Shot-B essa apropriação tem-se mostrado desafiante, na medida em que a abertura para o uso dos espaços/murais para arte passa por um processo burocrático bastante penoso, o que pode resultar da (pouco) percepção que se tem sobre o graffiti como arte. Ou seja, a sua marginalização. Aqui, importa trazer a reflexão levantada por Tirso Sitoe sobre o entendimento da arte/cultura em Moçambique. Para Tirso, o graffiti é marginalizada por não possuir marcadores identitários moçambicanos os quais, tendo sido ideologicamente concebidos, determinam o que deve ser considerado cultura e o que não deve.

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