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Artistas e pesquisadores discutem street art em Maputo

A Bloco 4 Foundation (B4F) e o Departamento de Sociologia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) realizam a 21 de Setembro em Maputo uma conversa pública sob o tema: Maputo Street Art: A juventude, o imaginário urbano e social.

O evento teve lugar na Universidade Eduardo Mondlane e tinha o propósito de ser um espaço de reflexão em torno das diversas intervenções artísticas protagonizados no espaço urbano por movimentos juvenis de arte da rua.

Para o efeito, foram lançados olhares em torno das intersecções entre diferentes manifestações da arte no espaço público e como é que os artistas emergentes reinventam-se em contextos de austeridade em ateliers periféricos ou urbanos de Maputo. Foi ainda discutida a modalidade de skate como estilo de vida em uma perspectiva geracional.

Alberto Correia, artista visual; Francisco Luís, da Maputo Skate; e a AfroIvan, artista plástico, oradores deste encontro, moderados pelo sociólogo Baltazar Muianga, defenderam a pertinência de se acabar com os estereótipos em relação às artes e moda, como por exemplo, a ideia que muitas vezes paira no imaginário de muita gente de que a pintura é só para gente rica.

Alberto Correia (Activista Social)

Para tal, através das suas organizações, promovem oficinas de artes nos bairros que permitem uma interacção directa com as pessoas e quebram, de alguma forma, os estereótipos que ensombram as artes.

Estes reconhecem dificuldades no exercício das suas actividades artísticas, mas acreditam que para se ultrapassar qualquer que seja o desafio é preciso foco, determinação e perseverança.

“Como artistas nos guiamos por estas palavras. A determinação e imposição são as nossas palavras-chave,” disse Alberto Coreia Brown, para quem a arte é uma forma de se libertar dos padrões impostos no mundo.

Na discussão sobre a prática de skate, sobressaiu a ideia de falta de espaço para essa actividade.

Francisco Luís (Presidente da Maputo Skate)

“Os melhores lugares para se construir skate-parque estão a virar centros de negócios e isso é muito mau. A existência destas pistas de skate constitui uma oportunidade de afastar os adolescentes e jovens das actividades ilícitas e das drogas”, argumentou Francisco Luís, presidente da Maputo Skate, uma organização sem fins lucrativos que empodera crianças e jovens através da prática do Skate, como forma de ocupá-los em seus tempos livres.

Na sua explanação, Francisco Luís falou do espírito empreendedor que deve ser introduzido nas pessoas ainda na tenra idade, mostrar a visão e exemplos de outras pessoas em quem se possam inspirar.

AfroIvan (Artista Plástico)

Esta iniciativa é parte do projecto Popular Culture, Activism and Social Change in Mozambique, suportado pelo CHCI.

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