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Territórios, línguas e fronteiras: Que papel para a música? |Chamada de propostas| Vídeo-Livro

Quer em termos históricos, quer contemporaneamente, existem fortes ligações entre a arte e os sentidos de pertença, tanto a grupos identitários como a territórios. Moçambique é disso exemplo, um país onde os territórios, considerados aqui como entidades complexas, conjuntos de objetos materiais, pessoas e sistemas de relações sociais, incorporam culturas distintas com múltiplos significados, identidades e práticas. Como tal, os territórios são permanentemente desafiados, ao invés de se representarem de forma essencialista e fixa, abertos e porosos a uma variedade de fluxos para dentro e para fora. A música é um dos elementos artísticos que melhor expressa estas tensões criativas. Na realidade, os géneros musicais podem ser considerados quer como expressão de autenticidade, quer através das lentes do hibridismo e da contínua mistura de diferentes tradições culturais musicais.
Como noutros locais do continente africano, a música moçambicana, nos seus vários géneros, é um importante veículo de comunicação social. Estas obras espelham a diversidade que Moçambique é, combinando a sua especificidade (as línguas nacionais, e a diversidade linguística do país, por exemplo) com a dimensão global dos temas que marcam a realidade contemporânea (a violência, o amor, a liberdade, o sofrimento).
Não há dúvida de que a música – tanto na produção quanto no consumo – pode ser uma importante influência na formação das identidades tipicamente híbridas de pessoas e lugares, gerando um senso de pertença aos territórios. Neste sentido, pode ajudar, de forma importante para o bem-estar das pessoas e lugares, o que tem um importante significado prático. De facto, a música, ao alertar para problemas substantivos experimentados no país, pode contribuir, de forma importante, para os esforços de regeneração em contextos social, económica e politicamente problemáticos.
A música, uma pedra-chave da reflexão sobre o social é, necessariamente, um processo coletivo que envolve a utilização de vários tipos de textos e (con)textos, incluindo fontes orais e outros artefactos da experiência humana, projeto este que deverá estar assente numa visão complexa da sociedade, e que olha para a realidade quotidiana, como uma tecedura densa composta de múltiplas experiências, vozes, encontros e envolvimentos, livre de fundamentalismos opressivos e de certezas teleológicas.
Neste sentido, objetivo deste projeto centra-se essencialmente em recolher expressões criativas que contribuam para reforçar a cidadania socio-política onde a juventude de Moçambique, num outro sentido de ser global e diferente, busca através da utilização de ligações culturais gerar um novo sentido estético e político.
Critério de seleção
  • Convidamos apresentações com um mínimo de 3 minutos e um máximo de 5 minutos. Caso as apresentações tenham menos que 3 minutos e mais de 5 minutos, serão automaticamente desqualificadas;
  • Encorajamos o envio de apresentações de acadêmicos iniciantes e estudantes de pós-graduação, ativistas e artistas por via de performances musicais. Estas performances podem ser feitas de modo individual ou em grupo;
  • As apresentações devem ser concisas e com linguagem acessível;
  • Podem ser enviadas apresentações, em português e inglês;
  • O vídeo deve ter qualidade mínima de imagem e som;
  • Solicitamos contribuições inéditas e com imagens não editadas.
Endereço de submissão de propostas:
As propostas devem ser unicamente submetidas por email [ territorios@bloco4foundation.org], usando os aplicativos ou contas de dropbox ou wetransfer. 
Prazos importantes:
A submissão de propostas deve ser feita entre o dia 20de Marçode 2019 e 30 de Maio de 2019. Até o dia 30 de julho, as propostas aceites receberão uma notificação. Em setembro de 2019, o vídeo-livro estará disponível online para o público interessado através de um canal a ser divulgado.
Sobre os organizadores:
Maria Paula Meneses é investigadora coordenadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Doutorada em antropologia pela Universidade de Rutgers (EUA) e Mestre em História pela Universidade de S. Petersburgo (Rússia), foi, até 2003, professora da Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique). Atualmente leciona em vários programas de doutoramento do CES; tem sido professora convidada no Brasil, Espanha, Reino Unido, Alemanha, etc.De entre os temas de investigação sobre os quais se debruça destacam-se os debates pós-coloniais em contexto africano, o pluralismo jurídico – com especial ênfase para as relações entre o Estado e as ‘autoridades tradicionais’ no contexto africano -, e o papel da história oficial, da(s) memória(s) e de ´outras´ narrativas de pertença nos processos identitários contemporâneos.
Tirso Sitoe é fundador, pesquisador e Diretor Executivo da Bloco 4 Foundation. Mestre e pós-graduado em Relações Interculturais pela Universidade Aberta (Uab), Lisboa. A sua dissertação de mestrado explora experiências sobre a forma como o RAP de protesto, constitui um espaço em que os músicos e o público, exercem os seus direitos cívicos e de cidadania em Moçambique pós-colonial. Em 2012 obteve sua licenciatura em Antropologia pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM). A sua pesquisa atual concentra-se em áreas como culturas juvenis, sociabilidades e processos de identificação juvenil; cidadania, ativismo e direitos humanos em Moçambique; dinâmicas espaciais e movimentos sociais em contextos urbanos; Música de crítica e protesto social em Moçambique pós-colonial.
Em 2016, Tirso Sitoe foi um dos jovens líderes africanos, selecionados pelo seu cometimento com o desenvolvimento de África, para a integrar um programa de treinamento em “Liderança Cívica” do programa YALI, no Centro Regional de Liderança da África Austral-Pretoria, oferecido pelo YALI- Regional Leadership Center, Mozambique.