Corredor de Saberes: vavasati vatinhenha (mulheres heroínas) e redes de mulheres e feministas em Moçambique

Na articulação de uma epistemologia interdisciplinar fundamentada principalmente nos feminismos Sul-Sul, que cruza aspectos da Antropologia, da História, da Sociologia etc. e diversas produções e abordagens teóricas, como por exemplo, decoloniais,
interseccionais e nos níveis macro e micro sociológicos, possibilitou com que a Vera, compreendesse que as mulheres africanas e moçambicanas em particular são protagonistas de sua própria história. Entre as potências do trabalho está a visibilidade de suas lutas cotidianas e a busca pelos direitos junto ao Estado, que incluem o direito ao próprio corpo, à cidade, ao trabalho, à terra e ao reconhecimento da sua contribuição social e económica tanto no espaço público como no privado.

Também revelou que a visão de África apenas como campo de produção de dados precisa ser superada, pois, como procuramos demonstrar especialmente a partir da vasta produção intelectual de mulheres e feministas africanas e moçambicanas, o continente é lugar também de uma produção teórica e empírica fundamental e digna de conhecimento e circulação pelo mundo afora.

Os nossos parabéns à pesquisadora da Bloco 4 Foundation, Vera Gasparetto pela conclusão do seu doutoramento. A sua tese procurou discutir como se organizam os movimentos de mulheres e feministas em Moçambique, compreender suas principais agendas e lutas políticas por direitos a partir da Rede Fórum Mulher. O problema que estimulou a realização desta pesquisa é duplo: a persistência por um lado, do desconhecimento da produção intelectual feminista e de gênero africana na América Latina no geral e no Brasil em particular e, do outro lado, de uma visão ocidental ainda dominante das mulheres africanas como vítimas e não como sujeitos de sua própria história, que desenvolvem em seus próprios contextos e condições históricas estratégias de resistência às várias formas de opressão e discriminação.