“Hoje temos uma geração marcada pela crise, pela diminuição de espaço de debate e pela invisibilização” Sugere Isabel Casimiro

Com o objetivo de refletir
sobre o papel das mulheres nas diferentes frentes e gerações dos movimentos
sociais e organizações feministas, a Bloco 4 Foundation realizou mais um debate
sob o tema: gerações em luta por utopias: uma proposta a partir de Moçambique.

Proferido pela
professora e investigadora Isabel Casimiro, o debate discorreu sobre movimentos
feministas que se engajaram, lutaram de diferentes formas em prol dos direitos
e espaços das mulheres nas várias gerações moçambicanas como também no diálogo
entre esses movimentos e gerações. A pesquisadora mostrou que os movimentos não
só de conquistas se formaram, mas passaram por crises, dificuldades, falta de
espaços para debater, devido a existência de grupos ou associações que não queriam
a independência, que não acreditavam no poder feminino e com isso não davam
espaço para elas debaterem e contribuírem.

Num olhar histórico
feito pela também ativista dos direitos das mulheres, constatou-se que antes,
durante e depois da independência existiram vários grupos ou movimentos
feministas, e não só, que, no entanto, a história silencia. A oradora fez-se
referência à geração antes da luta armada na qual existiram mulheres que
lutaram pela inclusão social de acordo com os seus objetivo e condições,
lutaram contra o colonialismo pressionado a libertação do seu povo, e ainda
contra políticas opressoras principalmente para o género feminino. Na geração
da luta armada houve também resistência por parte das mulheres junto da Frente
de Libertação como também movimentos que resistiam separados da Frente. Nesta
geração, as mulheres mostraram que o seu papel era importante na sociedade e
que elas podem contribuir para o crescimento social, económico e político do
país. E o mais importante, segundo Isabel Casimiro, é o facto de elas terem
percebido por si a sua importância e a necessidade de erguer as mãos para a
luta, resistência contra as várias formas de opressão.

Teve também geração
da independência, geração privilegiada pelo facto de ter tido a possibilidade
de estudar sem muitos empasses. É nessa geração onde encontramos maior número
movimentos formados por professores, médicos, funcionários públicos,
camponeses, operários, que se engajaram na luta pela independência. Que
participaram ativamente na inclusão social e politica das mulheres. A geração 8
de Março com os seus movimentos e organizações resistiu através de pequenas
associações e promoveu mudanças, trazendo novos olhares.

Para Isabel Casimiro,
hoje temos uma geração marcada pela crise, pela diminuição de espaço de debate
e pela invisibilização, mas que encontra formas de contornar esses problemas,
de participar ativamente na sociedade. E nesse aspeto, refere, as universidades
tem o papel de promover os movimentos sociais, criando espaços para o debate de
ideias.