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Liberdade de Expressão e Censura política no contexto de Estados Militarizados| Chamada de propostas| Vídeo-Livro

Que relação podemos estabelecer entre a liberdade expressão, censura política e Estados Militarizados? Longe de responder a essa questão, vários desafios impõem-se de modo inquestionável acerca da atual conjuntara social, política e económica que se vive em alguns países da lusofonia, especificamente o Brasil, Moçambique e Angola. Estes desafios encontram-se em algum momento, baseados em princípios de liberdade, igualdade e respeito pela diversidade de opinião, especialmente no contexto pós-colonial. No entanto, as investidas feitas nos processos políticos e de governação reforçam à existência de violência política e censura politicamente institucionalizada, contra os que desenvolvem uma retórica em defesa das injustiças sociais na relação entre Estado/governo e sociedade, algumas vezes, fruto da herança colonial.
A título de exemplo, no Brasil Marielle Franco conhecida como ativista dos direitos humanos, foi baleada depois de ter participado em um ato político no Rio de Janeiro, onde criticava a intervenção do Exercito na segurança pública. Não diferente do Brasil, em Moçambique o jornalista Carlos Cardoso foi assassinado quando investigava um presumível caso de corrupção em um dos maiores bancos. Um caso de intimidação, verificou-se também em Angola, num processo denominado “15+2” em que ativistas angolanos foram julgados no Tribunal Provincial de Luanda, acusados de prepararem um golpe de Estado contra o Governo do MPLA de José Eduardo dos Santos.
Se por um lado, o Estado ofereceu um espaço para a democratização da mídia por via da liberdade de expressão e de imprensa, mas também pelo direito a manifestação, este mesmo Estado, por outro lado, ofereceu também, um espaço de perseguição política e intimidação contra os que tem discordado com a ordem político-governamental e partidária estabelecida. Nesta chamada de contribuições, pretendemos explorar os diversos lugares que a liberdade de expressão e a censura política tem ocupado, a partir de narrativas discursivas apresentadas e reproduzidas pelos diversos segmentos da sociedade em contexto de Estados Militarizados.
Critério de seleção
  • Convidamos apresentações com um mínimo de 3 minutos e um máximo de 5 minutos. Caso as apresentações tenham menos que 3 minutos e mais de 5 minutos, serão automaticamente desqualificadas;
  • Damos boas-vindas especialmente a contribuições que vão além dos trabalhos realizados no Brasil, Moçambique e Angola, mas que permitam de algum modo, estabelecer um ponto de reflexão com estes países;
  • Encorajamos o envio de apresentações de acadêmicos iniciantes e estudantes de pós-graduação, ativistas, artistas ou especialistas estabelecidos nesses tópicos quer por via de performances musicais ou teatrais. Estas performances podem ser feitas de modo individual ou em grupo;
  • As apresentações devem ser concisas e com linguagem acessível;
  • Podem ser enviadas, apresentações em português e inglês;
  • O vídeo deve ter qualidade mínima de imagem e de som;
  • Solicitamos apresentações inéditas e com imagens não editadas.
Endereço de submissão de propostas:
As propostas devem ser unicamente submetidas por email [liberdade@bloco4foundation.org], usando os aplicativos ou contas de dropboxou wetransfer.
Prazos importantes:
A submissão de propostas deve ser feita entre o dia 30 de março de 2019 e 20 de junho de 2019. Até o dia 30 de julho, as propostas aceites receberão uma notificação. Em outubro de 2019, o vídeo-livro estará disponível online para o público interessado através de um canal a ser divulgado.
Sobre os organizadores:
Tirso Sitoe é fundador, pesquisador e Diretor Executivo da Bloco 4 Foundation. Mestre e pós-graduado em Relações Interculturais pela Universidade Aberta (Uab), Lisboa. A sua dissertação de mestrado explora experiências sobre a forma como o RAP de protesto, constitui um espaço em que os músicos e o público, exercem os seus direitos cívicos e de cidadania em Moçambique pós-colonial. Em 2012 obteve sua licenciatura em Antropologia pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM). A sua pesquisa atual concentra-se em áreas como culturas juvenis, sociabilidades e processos de identificação juvenil; cidadania, activismo e direitos humanos em Moçambique; dinâmicas espaciais e movimentos sociais em contextos urbanos; Música de crítica e protesto social em Moçambique pós-colonial. Em 2016, Tirso Sitoe foi um dos jovens líderes africanos, selecionados pelo seu cometimento com o desenvolvimento de África, para a integrar um programa de treinamento em “Liderança Cívica” do programa YALI, no Centro Regional de Liderança da África Austral-Pretoria, oferecido pelo YALI- Regional Leadership Center, Mozambique.
Marissa J. Moorman é uma historiadora da África Austral. Sua pesquisa foca a interseção entre política e cultura na Angola colonial e independente. O seu livro Intonations (Ohio University Press, 2008) explora como a música era uma prática em e através da qual os angolanos que viviam sob extrema repressão política imaginavam a nação e como as particularidades da música e do momento histórico lançavam este processo em termos de género. Em outras palavras, sua pesquisa centrou-se nas maneiras pelas quais a prática cultural é produtora de política e não apenas derivada dela. Grande parte de sua evidência de pesquisa vem de entrevistas com músicos e consumidores de música e explora como a memória, a experiência e o prazer moldam a política e a história. Neste momento, tem trabalhado em um projeto intitulado Powerful Frequencies: Radio, State Power e a Guerra Fria em Angola, 1933-2002, que examina a relação entre a tecnologia do rádio e as mudanças políticas da África Austral como movimentos anticoloniais estabelecidos em Estados independentes no contexto de uma região recentemente acusada pela política da Guerra Fria. Este livro atende às dinâmicas estatais de consolidação através de processos tecnopolíticos e das interferências humanas que atuam em esses grandes planos.
O seu trabalho atual, tem analisado diferentes mídias no que tange ao seu uso, práticas e significados que as pessoas desenvolvem em torno deles e como a sua relação como poder muda ao longo do tempo. Seja música, rádio, cinema ou fotografia (som ou visual). Na verdade, isso explica o seu interesse com questões de mediação de presentes que se tornam passados ​​e o passado como disciplina de estudo. Ela publicou sobre música, moda, cinema, rádio e espaço urbano e tem servido no coletivo editorial da Radical History Reviewe no conselho editorial da África é um país onde também, contribui como blogueira.
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