Cultura Popular, Activismo e Mudança Social

A cultura popular, apesar da conceituação problemática, nos oferece possibilidades de pensar como os indivíduos se expressaram e como essas formas de expressão são significativas, especialmente em um contexto de lutas sociais e políticas que podem ser vistas dentro das estruturas do Estado ou em movimentos de ativismo social que ecoam fora da estrutura do próprio estado, mas também na combinação dos dois.

Em Moçambique, os processos de descentralização, partidarização do estado, políticas de austeridade, relações entre o Estado e o cidadão, que se baseiam numa abordagem de altos e baixos, são a forma como a participação nos processos políticos e de governação são exigidas, tem nos dado um campo de possibilidade para pensar nas relações de conflito e afecções. Nesse sentido, pretendemos refletir sobre como o conhecimento convencional é traduzido em uma dimensão artística e como a arte é utilizada como reflexão científica? Qual o papel dos movimentos feministas de mulheres em contextos de crise econômica ou instabilidade política e de que lugares / cenários eles são ouvidos? Como as midias convencional e digital desempenham o silenciamento, a visibilidade ou a produção estereotipada da luta dos movimentos feministas de mulheres em Moçambique? Como a imagem feminina surge nas narrativas musicais e como as mulheres se posicionam em relação ao discurso poético dessas narrativas? Como os artistas trabalham e reformulam suas performances em contextos glocais e mudanças sociais?